Bom, primeiro de tudo Boa noite... Acredito até que esse blog não será lido por ninguém rsrs, mas preciso desse "diário" para colocar para fora as minhas ansiedades.
Meu nome é Renata, tenho 34 anos, 3 filhos... Sou gorda (obesa, gordinha, fofinha, ou o que quiserem chamar) desde os 12 anos. Mas nesse momento quero contar todo o caminho que me levou a tomar essa decisão.
Convivo com depressão desde os 13 anos de idade. Engordei devido a uma amigdalite que, só depois de anos descobri que isso era possivel. Desde então não consigo lidar com a imagem que vejo no espelho... Minha mente pensava que as pessoas se afastavam de mim por ser gorda, que ninguem quer ser amiga ou namorar uma gorda.
Na adolescencia sofria o que hoje é conhecido como bulling (na minha época eram só adolescentes com grande falta do que fazer) e sempre ouvia " se te incomoda ser gorda, se mexe, fecha a boca e emagrece" (nosssaaaaa, tão facil né)...
Fui assim seguindo meus dias, mas só eu sabia o que se passava na minha mente. Só eu sabia o que ouvia dos "amigos". Ja ouvi que não me chamavam pra festas porque não queriam gordos lá, que me achavam legal mas queriam ter só amigas bonitas, meninos dizerem que sempre gostaram de mim mas tinham coragem de admitir porque os amigos iam rir da cara deles... é cada coisa que uma adolescente escuta...
Ai fui crescendo e escutando "é coisa de muleque, vai ver que os homens pensam diferente" kkkkkkkkk
Um pouco, ou melhor muito, sei que a culpa é minha... o preconceito maior é meu, sempre foi! Pensando sempre "eu, se fosse bonita (magra) ia querer amigas como eu", "se eu fosse homem teria vergonha de ter alguém como eu do lado"... Mas nessa caminhada, não deixei tudo isso de lado.
Fiz tanta coisa para emagrecer.
Nutricionistas, endócrinos, remédios de manipulação, remédios prontos, academia, natação, acupunturara... lembro de certa vez desmaiar em uma clinica veterinária pois passei a semana inteira com água e APENAS 3 bolachas de água e sal pra perder peso e não tomar bronca da acupunturista (e emagreci 500 gramas).
Casei... legal né, alguem que me ama, que vai me fazer melhorar a minha auto estima... Bem, a ideia era essa e ele tentou, como tentou... Mas eu só pensava que ele não me amava, pq quem ia amar uma gorda? que me traia, pq até eu com alguém como eu ia buscar alguém gostosa. Juro que tentava não pensar assim, mas é mais forte do que eu!!!
E continuei minha caminhada para emagrecer... se ele queria uma magra, ia ter uma magra (e ele sempre dizendo que se eu emagrecesse me largava, mas eu achava que era da boca pra fora). Mas esse jeito que eu me via continuava me afastando das pessoas e até estragando meu casamento.
No trabalho, não conseguia criar vinculo de amizade com ninguém, logo me afastava com esses pensamentos idiotas... Na faculdade a mesma coisa, me fechei a um unico amigo (meu melhor amigo da vida toda) e mal ele sabia que, mesmo ele me elogiando direto, eu só pensava "ele olha pra todo mundo menos pra mim porque sou gorda"
Consegui destruir meu casamento e qualquer outro relacionamento que tive depois dele pelo mesmo motivo: ciumes excessivo por ter certeza que estava sendo traída por uma gostosa, ou porque só estavam comigo pois eu cuidava deles mas queriam estar com alguém bonita...
Obviu que tudo isso não poderia dar em boa coisa. Todo esse desanimo, isolamento, baixa auto estima, tentativas frustadas de emagrecer, sensação de que as pessoas me desprezavam ou riam de mim... resultou na minha PRIMEIRA CRISE DE PANICO.
Junto com essa crise uma imensa dor no ombro... passava em medicos e mais medicos e ninguem achava nada. Ainda trabalhava em uma função que fazia eu forçar o braço o tempo todo.
Bem... foram 15 dias de afastamento do serviço por crise de panico e choros contantes pela dor no ombro e a sensação de que ninguem queria estar perto de mim.
Com o tempo achei um excelente ortopedista que descobriu que teria que fazer uma cirurgia: retirada da Bursa com raspagem do esporão e mais um "pequeno motivo" que ele disse ser insignificante. Nossaaaaaa, graças a Deus a dor ia passar... 4 dias após a cirurgia e ainda em repouso, a bursa voltou já inflamada, o medico disse que nunca ouviu falar disso.
Me mudei para o interior em mais uma tentativa de salvar meu casamento, mudei de area no meu serviço para que eu não forçasse mais o ombro e a dor não passava, e o desanimo aumentava, e as crises de panico pioravam, e a sensação de que cada pessoa que eu iria atender (trabalhava com atendimento ao publico) só passavam comigo pq eram forçadas, que riam de mim, que tinham nojo de mim (quem não teria nojo de uma gorda preguiçosa) e virou uma SINDROME DO PANICO COM DEPRESSÃO (o diagnostico dos medicos)
Não conseguia sair de casa... e aiiii juntou tudo e virou a bagunça completa.
aaaaaa esqueci de contar... certo dia fui em um ortopedista na nova cidade, pois tinha que continuar o acompanhamento e escutei o seguinte: "você acha que eu sou milagreiro? não tenho como te tratar, olha seu tamanho" (me colocando na frente de um espelho) "olha o tamanho desse braço? o outro medico te operou e não falou nada? Não tenho como te tratar se você não emagrecer... que osso é obrigado a aguentar tudo isso de banha?" genteeeee sai de lá chorando tanto, mas tanto...
Atualmente descobri que tenho Transtorno de Boderline que desenvolvi por traumas de infancia (porque será né) meu psiquiatra conseguiu controlar o panico, o boderline e não sabe mais o que fazer pois, por mais que eu passe com ele ou com psicologo, a depressão não consegue tratar de jeito nenhum...
Atualmente o que mais me afeta é essa depressão... mas essa depressão é que tenho nojo de mim! meu consciente diz que eu estou errada, que tem tanto gordinho feliz. Mas meu inconsciente diz que ninguém é obrigado a conviver com alguem como eu! E mesmo fazendo Zumba, Caminhada, Controlando a alimentação (como estou fazendo atualmente) só faço engordar mais a cada dia.
Essa é minha estória e no proximo post vou falar o porque da decisão da Bariatrica.
Beijosssss